A vontade de expulsar cá para fora o Grito, aquele grito, sim esse mesmo, aquele que ninguém ouve, aquele que não sai, aquele que a tristeza o invade não o deixa soltar-se, não o deixa ficar livre, não o deixa decidir, deixa-o preso para sempre, no fundo de um corpo obscuro, no fundo dos estilhaços , no fundo das desilusões, das desilusões que nunca param de aumentar. Enfim, o grito que nunca sairá, que nunca me tirará a tristeza, o grito que nunca me fará feliz….
Tento seguir outro caminho, tento encontrar outra maneira de expulsar toda a tristeza que não sai, a que está presa com o tal grito, mas esse caminho não aparece, pelo contrário, desaparece rapidamente, é tarde demais, nunca conseguirei tirar de mim as tristezas, as desilusões, o grito, os estilhaços de um coração desfeito, a obscuridade do meu corpo, mas pelo menos tentei, embora tenha sido tarde demais, não há volta a dar, nem mesmo relembrando todo o carinho que me tentas dar, nem mesmo o teu sorriso, nada o pode mudar, o tempo acabou, ficarei como um grão de areia, com o sonho de um dia vir o vento e levar-me toda esta triste, mas dia esse que, infelizmente, nunca chegará…
Ricardo Rebelo (Ká)
Não chega o vento para te levar para quilómetros mas chega a àgua da chuva para te levar uns poucos metros. A questão é se te prendes ao chão, ou se te deixas levar.
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